Solenidade de Pentecostes: o Espírito Santo nas nossas vidas
O cristianismo está repleto de símbolos e de festividades que coincidem com as celebradas pelos judeus, desde o Antigo Testamento. Sabia que isso não é por acaso?
Pentecostes é uma dessas festas judaicas que recebe, no dom do Espírito Santo, enviado por Deus, seu sentido mais profundo e verdadeiro. O antigo Pentecostes, como a antiga Páscoa, eram como que figuras do que estava por vir.
Vem conferir o que nos espera na vivência de tão grande festa, e entender sua importância dentro de toda a lógica pensada por Deus para sua Igreja.
O que significa Pentecostes?
A palavra Pentecostes significa, literalmente, “quinquagésimo dia” (do grego,pentekoste). Era a Festa das Semanas, dos judeus, por ser celebrada sete semanas depois da Páscoa. No início, estava ligada à festa das colheitas, onde se oferecia ao Senhor a oferta dos primeiros frutos do trigo. Mas, com os anos, tal celebração da colheita, em Pentecostes, se uniu à recordação da aliança feita por Deus no Sinai.
Pentecostes marcava, 50 dias depois da Páscoa, a festa em que os judeus festejavam o fato de terem recebido, de Deus, a Lei no Sinai. Tendo sido libertos da escravidão do Egito, na noite da Páscoa, e tendo passado pelo mar Vermelho, recebem de Deus, 50 dias depois, o decálogo.
No livro dos Números, fica definido o mesmo:
“No dia das primícias, quando apresentardes ao Senhor a oferta nova, na Festa das Semanas, tereis assembléia litúrgica e não fareis nenhum trabalho”2. Aqui, na tradição judaica, há a fusão dessas duas festas separadas: a Festa das Primícias, que é local e obedece às condições agrícolas que são variáveis, e a Festa das Semanas, que se fica no calendário e se celebra em Jerusalém.
Era uma festividade de grande alegria, com judeus vindos de todas as partes até Jerusalém, para agradecer a Deus pelos dons da colheita e da Aliança feita para com seu povo. Além de judeus, vinham amigos pagãos e prosélitos, fazendo com que Pentecostes fosse uma grande celebração.
A vinda do Espírito Santo
Depois de todo mistério da paixão, morte e ressurreição, Nosso Senhor indica aos discípulos que a missão deles daria em breve, e envia, como prometido, o Prometido: o Espírito Santo de Deus, a fim de completar toda a obra da Redenção e fundar, de fato, a Igreja.
Antes mesmo de subir aos céus, e no dia de sua gloriosaAscensão, Jesus havia prometido que não deixaria os discípulos desamparados. Era preciso que Ele fosse, para que o Espírito Santo viesse.
Pentecostes, assim, se torna a verdadeira festa da colheita e da Aliança com Deus, operada, agora, no dom do Espírito Santo, derramado nos corações dos fiéis. A verdadeira colheita é a missão que se abre a partir de agora.
Os frutos, são os do Espírito Santo, com dons que superabundam nos discípulos, os fazendo capazes de anunciar a mensagem do Evangelho com verdadeira parresia, que é a ousadia em pregar.
A importância de Pentecostes
Logo após a descida do Espírito Santo em Pentecostes, o relato bíblico já abre a nós o horizonte da Igreja que converte multidões à Boa Nova do Evangelho. Ele é o responsável por dar aos homens testemunho de Nosso Senhor, e garantir que os discípulos também deem testemunho de tudo que viveram, como Jesus mesmo anunciara.5
Com efeito, os nomes dados ao Espírito Santo nos relatos do Novo Testamento, se fundem com a sua presença no meio da Igreja, até hoje:defensor, advogado, consolador, Espírito da Verdade.É por Ele que, em Pentecostes, se revela a plenitude do mistério da Santíssima Trindade, Sua relação e Seu plano de redenção para a humanidade.6
O Espírito Santo é a garantia, já no princípio da Igreja, de que é Deus quem conduz todas as coisas. Os discípulos, de fracos e covardes que eram, tornam-se corajosos e ousados na pregação do Evangelho, sendo defensores da fé no Ressuscitado em todos os lugares, mesmo que ante ameaças.
Ainda que com pouca instrução, foi o Espírito Santo quem os capacitou a se tornarem pregadores exímios, com discursos apaixonados e que convenciam milhares de pessoas. O fogo do Espírito impulsionou os primeiros discípulos na orientação das comunidades, como mostram os relatos bíblicos: Éfeso, Corinto, Jerusalém, Roma, Antioquia. Tantas Igrejas, evangelizadas e orientadas pelos Apóstolos e por seus sucessores.
A própria Sagrada Escritura, escrita no seio da Igreja nascente, conservada e iluminada pela força do Espírito Santo, é testemunha do papel decisivo e marcante dos dons e virtudes do Alto, para que a força do Evangelho de Cristo não sofresse nenhuma ruptura ou desvio.
Para a Igreja
É o Espírito Santo, derramado nos corações dos fiéis, quem garante a unidade e a condução da Igreja. Jesus mesmo prometeu que seria Ele, o Espírito, que nos faria recordar de todo o Evangelho.
Nestes dois mil anos de Igreja, o que garante a fidelidade ao Senhor, é a certeza de que não somos uma Instituição meramente humana, mas divina. Foram muitos os momentos de crise e de perseguições, e muitos ainda virão, até o fim dos tempos.
Da mesma forma, foram muitos os momentos de conversão e consolação, como na Idade Média e no desenvolvimento do Ocidente — e certamente ainda virão muitos mais.
E em ambos os casos, é sempre o Espírito Santo, neste renovado Pentecostes, quem sustenta a Igreja na crise e na tribulação, ou que impulsiona e orienta na consolação e no ardor.
Santo Irineu, no século II, no seu Tratado contra as heresias, nos aponta para o fato de que o Espírito, descido sobre os apóstolos eMaria Santíssimaem Pentecostes, depois da gloriosa ascensão, possui o poder de trazer à nova Aliança todos os povos, todas as línguas, num mesmo louvor a Deus.
O Espírito congrega as mais variadas raças e inicia, assim, a oferta das primícias de todas as nações a Deus.
Eis onde reside a força de Pentecostes para a vida da Igreja: conduzir a Igreja em todos os tempos e em todas as situações, e garantir a unidade da mesma em torno da Santíssima Trindade.“O Espírito Santo que Cristo, Cabeça, derrama em seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. Ele é o sacramento da Comunhão da Santíssima Trindade.”8
Para os fiéis
É o Espírito quem derrama em nossos corações as virtudes e os dons necessários para a nossa salvação e para o anúncio do Evangelho. Com efeito, como nos diz oApóstoloPaulo em várias de suas cartas, o Espírito de Deus é a vida de nossa alma.
Os sete dons do Espírito Santo são:sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.Por estes dons, temos condições de seguir os impulsos do Espírito Santo na condução de nossas almas a Deus.
Já os frutos do Espírito Santo em nossas almas, que são perfeições, como que primícias, já aqui na terra, do que iremos viver em plenitude nos céus, são doze:caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade.10
Mas dentre nós, quem recebe o Espírito Santo? Como se dá tamanha graça?
Bem, todos os batizados e crismados recebem, do alto, a força do Espírito Santo, dom de Deus, em virtude dosacramento. Mas, o pecado, que rompe nossa relação de amizade com Deus, faz com que percamos tal auxílio divino. Vivemos do Espírito Santo se guardamos a Palavra de Deus num esforço sincero de conversão, no exercício da oração e no ardor missionário.
A missão do Espírito Santo, derramado sobre os Apóstolos e a Virgem Maria em Pentecostes, é renovado a cada sacramento celebrado, no coração de cada fiel que se abre a tamanha graça.
Durante toda a história Ele conduz a Igreja, para que ela, firme e fiel no Senhor, possa achar meios de anunciar o Evangelho a todos os homens.
Tamanha missão é realizada no auxílio aos pastores (papa, bispos, sacerdotes), bem como no derramar carismas e ministérios entre todo Povo de Deus. É pelo dom do Espírito Santo que Jesus, vivo e glorioso à direita de Deus Pai, permanece presente e atuante no seio da Igreja.