Gl 5,1-6
Sl 118(119)
R. Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!
Lc 11,37-41
Nós vos pedimos, Senhor, que vossa graça nos preceda e acompanhe e nos torne atentos para perseverar na prática do bem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Acolhei, Senhor, as preces dos fiéis com a oblação do sacrifício, para que possamos, por este serviço da nossa piedosa devoção, alcançar a glória do céu. Por Cristo, nosso Senhor.
Deus todo-poderoso, nós vos pedimos humildemente: assim como nos alimentais com o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, fazei-nos participar da natureza divina. Por Cristo, nosso Senhor.
Se levardes em conta, Senhor, nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão. (Cf. Sl 129, 3-4)
Os ricos empobrecem e passam fome, mas nada falta aos que procuram o Senhor. (Cf. Sl 33, 11)
Contexto histórico e eco patrístico à luz da Tradição da Igreja.
Na Epístola aos Gálatas, São Paulo enfrenta a crise provocada pelos judaizantes, cristãos de origem judaica que exigiam que os pagãos convertidos fossem circuncidados e guardassem a Lei de Moisés como requisito para a salvação. Paulo defende enfaticamente que a justificativa vem de Cristo, não das obras da Lei antiga. No Evangelho segundo São Lucas, a cena se passa em um jantar na casa de um fariseu. A lavagem das mãos a que o texto se refere não é um ato de higiene moderna, mas o ritual da 'Netilat Yadayim', prescrito pela tradição dos anciãos para remover a impureza ritual. Os fariseus davam extremo valor a esses detalhes rituais externos, frequentemente negligenciando a justiça e o amor de Deus.
Há uma harmoniosa continuidade teológica entre a Primeira Leitura e o Evangelho: ambos denunciam o perigo do formalismo religioso e da autojustificação pelas observâncias puramente externas. São Paulo ensina que em Cristo o que tem valor é 'a fé agindo pela caridade' (Gl 5,6). De forma análoga, Jesus corrige a hipocrisia farisaica mostrando que a verdadeira pureza ritual é secundária em relação à pureza do coração, a qual se manifesta e se purifica concretamente na caridade e na doação aos pobres ('dai esmola... e tudo ficará puro para vós', Lc 11,41). O Salmo 118 expressa a correta atitude do fiel: o amor sincero à vontade de Deus fundamentado na graça e na verdade divina, e não em preceitos meramente humanos.
“Comentando Gl 5,6, o Doutor Angelico explica que a fé informe (sem caridade) não justifica. A caridade é a forma de todas as virtudes; portanto, a fé só tem eficácia salvífica e valor diante de Deus quando animada e posta em prática pelo amor a Deus e ao próximo.”
“Santo Agostinho destaca que Cristo não condenou a limpeza corporal, mas a insensatez de cuidar apenas da aparência externa enquanto a alma permanece cheia de rapina. A esmola sincera, nascida do amor, lava a ganância interior e purifica a pessoa por inteiro diante de Deus.”
“O Crisóstomo observa que Aquele que criou o exterior também criou o interior; portanto, Deus exige uma harmonia entre a conduta visível e o coração. A esmola é o remédio por excelência contra a corrupção interior do orgulho e da avareza.”